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Narrativas da morte

Por Carlos Santiago*

       O homo sapiens construiu sua história sobre narrativas para justificar guerras sanguinárias, alimentar a maldade, promover intolerâncias e arrebanhar milhões de pessoas para adorar crenças fúteis e seguir ideologias escravizadoras do ser humano que os ensinam a agir violentamente com sorriso no rosto.

         A origem da sobrevivência humana foi embalada pela lei do mais forte, da imposição entre vida e morte; destino, natureza e ímpeto humano se mesclavam dando o direcionamento do sucesso na empreitada da vida. A narrativa escolhida iluminava os vencedores. Esse olhar sobre a vida e sobre o mundo o transformava em caça ou caçador, vencedor ou vencido, senhor da natureza ou seu subserviente. Era um tempo de luta e vigília.

         Proteger a terra sagrada de Deus, o lugar santo. Expulsar os pecadores e os que cultuam e celebram outras religiões. As recompensas foram o perdão dos pecados terrenos, riquezas, títulos de nobreza e o encontro com o criador de tudo, após a morte. Matar e morrer, em nome dos deuses, se justificam. Era um tempo de crença e intolerância.

         Defender e matar em nome da honra do rei, em defesa dos burgos, em homenagem ao representante do divino na terra. As forças, as fogueiras para queimar humanos, as flechas e os corpos dilacerados, eram destinos dos contrários. Pela honra do rei, pela fé e pelo território do reinado, justificavam matar e morrer. Salve Vossas Majestades e a Santa Igreja! Era um tempo de religião, de servidão e de intolerância.

         A morte de um arquiduque, herdeiro do trono austríaco, e de sua esposa, os interesses econômicos e disputas por territórios das riquezas e exploradas colônias, causaram o fim de vidas. Matança movida por ressentimentos, vingança e a ideia de nacionalismo e de patriotismo, legitimavam ações de mortes humanas. Era um tempo de guerras, vinganças e explorações estatais.

        Racismos, autoritarismos, ditaduras, patriotismos, capitalismos, fascismos e comunismos, impulsionaram a aniquilação de milhões de pessoas, perseguição e separação de povos, incorporação de territórios, explosão de bomba atômica e pena de mortes para milhões de inimigos políticos. Mortes, mortes…e o fortalecimento de utopias que escravizam ainda mais inocentes úteis e malvados doutrinadores da desgraça do homem. Era um tempo de ideologias e cegueira histórica.

        Guerra fria que de fria só tinha o nome, milhões de vidas foram ceifadas. Dinheiros incalculáveis foram gastos com armas e tornou o mundo, ainda mais, em lugar de países fortes e fracos, desenvolvidos e pobres, governantes importantes e governantes bajuladores, com um órgão internacional criado para manter as relações de forças e de subserviência. Era um tempo de discórdia política e de política de morte.

          Empresas lucraram com as guerras, políticos autoritários ficaram mais fortes, intolerâncias religiosas ainda movem conflitos, as desigualdades econômicas só crescem. Um tempo do lucro e da fome.

        O homo sapiens criou suas celas, suas gaiolas, seus modelos econômicos, seus paradigmas políticos, suas organizações sociais, meios de expressões, filosofias, acordos internacionais e conhecimento científico para, na maioria das vezes, destruir o próximo.

           No atual contexto do mundo, inúmeras narrativas foram construídas para justificar uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Todos os lados afirmam razões para o conflito armado. Todos se declaram donos da verdade. Vive-se um tempo obscuro da desrazão.

         É mais uma guerra construída pelo ser humano, mais mortes acontecerão, pois as narrativas para matar o outro sempre existiram. Os tempos mostram que o ceifador do homem sempre foi o próprio homem.

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PIM mais uma vez ameaçado

Desde que me entendo por gente, como caboco amazonense, vejo a nossa Zona Franca ameaçada por medidas advindas do poder executivo, seja do atual ou de governos anteriores.

É certo que devemos ser defensores intransigentes do nosso principal modelo econômico, o Polo Industrial de Manaus, haja vista, que ele gera cerca de 400 mil empregos diretos e indiretos, sendo assim a base da nossa economia.

O nosso modelo de desenvolvimento surgiu em 1967, durante o regime militar, por meio do Decreto-Lei nº 288/67. A finalidade inicial desse projeto era estabelecer incentivos fiscais por 30 anos para criar um polo industrial, comercial e agropecuário na Amazônia.

O Decreto Nº 10.979, que reduz o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), publicada nesta sexta-feira (25) pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) abrange veículos e eletrodomésticos da linha branca, como geladeira, freezers e máquinas de lavar. Há também redução para bebidas alcoólicas, que o reduz em 25%, atinge em cheio boa parte dos produtos produzidos no nosso polo, diminuindo drasticamente as nossas bases comparativas em relação aos demais estados da federação, podendo vir a culminar em fechamento de industrias e consequentemente desemprego em massa.

O Sr Ministro da Economia, Paulo Guedes com suas ideias liberalistas, tem se colocado contra qualquer incentivo ou beneficio fiscal, sem observar as circunstancias locais e os graves prejuízos que pode trazer para economia do nosso estado, dependente quase que 100% do PIM. Prefiro acreditar que seja por ignorância e não por maldade que tem tomado medidas como essa. Fala aos quatro ventos que devemos investir no crédito de carbono, coisa que nem regulamenta está. Como se em um estalar de dedos conseguíssemos virar a chave e mudar um modelo econômico. Qualquer outra matriz econômica que venha a ser implantada, levará pelo menos 30 anos para se concretizar e substituir o modelo atual.

Esse decreto acabará com o PIM, tenho certeza que não, entretanto, hoje é esse amanhã pode ser outro até que morramos de inanição. O mais duro de tudo isso é ver amazonenses anencéfalos por idolatria defenderem essa medida.

Tenho meu posicionamento quanto a isso! A verdade é, que nos últimos 40 anos de um único grupo que governa nosso estado e nossa cidade, nunca se preocupou em criar ou incentivar novas matrizes econômicas. Nossa vocação natural é o turismo em todas as suas vertentes, a biotecnologia, o biocomércio, a pesca esportiva, a piscicultura, minério e outras riquezas de nossa flora, que podem ser exploradas de forma sustentável, sem degradação do nosso bioma. Deus nos deu de graça belezas impares e infelizmente não as exploramos como deveríamos.

Sempre me pego em reuniões ou debates econômicos a respeito do Amazonas, cito como exemplo o turismo da pesca esportiva do tucunaré. Temos potencial de pesca durante pelo menos 9 meses por ano em diferentes municípios de nosso Estado.

Final de agosto, inicio de setembro começa a temporada de pesca no Amazonas, comum vermos centenas ou talvez milhares de pescadores esportivos chegarem no aeroporto vindos de diferentes estados e de outros países, com suas tralhas para pescar em nossa região, sem que tenha ao menos um receptivo. Eles chegam vão direto para lugar da pesca e o mesmo caminho fazem de volta, sem ter pelo menos um dia de estadia na cidade.

Será que ninguém nunca pensou em fazer uma “Feira Internacional de Pesca e Turismo no Amazonas“, com atrações musicais, gastronômicas e outros? Lhes digo, eu penso e sempre defendi a realização. Quando o Remero Reis esteve na presidência do CODESE, começamos a elaborar o projeto, mas, com a chegada da pandemia paramos. Um evento como esse, bem divulgado atrairia a atenção do mundo inteiro sem tanto esforço e com certeza passaria a fazer parte do nosso calendário de eventos.

O grande exemplo de visão de futuro, é DUBAI, que tem como a sua principal matriz econômica, o petróleo. Transformou parte de seu deserto em atração turística, pois, sabem que os combustíveis fósseis são fontes de energia finitas e que precisam se preparar para substitui-la.

O nosso PIM tem prazo de validade e me parece que ninguém se dá conta disso. A pergunta que fica é, o que nossos representantes tem feito para buscar novas matrizes para nossa economia? Essa deveria ser a maior preocupação e não a prática de politicas assistencialistas/eleitoreiras já pensando nas próximas eleições e em sua reeleição.

Temos uma marca consolidada no mundo Inteiro que é a “AMAZÔNIA”, precisaríamos somente que os nossos governantes investissem em infraestrutura para atrair investimentos da iniciativa privada, possibilitando a substituição gradual de nosso modelo. O turismo seria a porta de entrada para vários outros investimentos.

Manoel Júnior – Contador/Advogado.

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Em sua 244ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 10,75% a.a.

A atualização do cenário de referência do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

  • No cenário externo, o ambiente segue menos favorável. A maior persistência inflacionária aumenta o risco de um aperto monetário mais célere nos EUA, tornando as condições financeiras mais desafiadoras para economias emergentes. Além disso, a nova onda da Covid-19 adiciona incerteza quanto ao ritmo da atividade, ao mesmo tempo que pode postergar a normalização das cadeias globais de produção;
  • Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores relativos ao quarto trimestre tiveram evolução ligeiramente melhor que a esperada, em particular os relativos ao mercado de trabalho;
  • A inflação ao consumidor seguiu surpreendendo negativamente. Essa surpresa ocorreu tanto nos componentes mais voláteis como principalmente nos itens associados à inflação subjacente;
  • As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;
  • As expectativas de inflação para 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 5,4% e 3,5%, respectivamente; e
  • No cenário de referência, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio partindo de USD/BRL 5,45*, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as projeções de inflação do Copom situam-se em 5,4% para 2022 e 3,2% para 2023. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 12% no primeiro semestre de 2022, termina o ano em 11,75% e reduz-se para 8,00% a.a. em 2023. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 6,6% para 2022 e 5,4% para 2023. Adota-se a hipótese de bandeira tarifária “vermelha patamar 1” em dezembro de 2022 e dezembro de 2023.

O Comitê ressalta que, em seu cenário de referência para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Por um lado, uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities internacionais em moeda local produziria trajetória de inflação abaixo do cenário de referência.

Por outro lado, políticas fiscais que impliquem impulso adicional da demanda agregada ou piorem a trajetória fiscal futura podem impactar negativamente preços de ativos importantes e elevar os prêmios de risco do país.

Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que a incerteza em relação ao arcabouço fiscal segue mantendo elevado o risco de desancoragem das expectativas de inflação e, portanto, a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário de referência.

Considerando o cenário de referência, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 1,50 ponto percentual, para 10,75% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário de referência e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas ao longo do horizonte relevante, que inclui o anos-calendário de 2022 e, em grau maior, o de 2023. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O Copom considera que, diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista. O Comitê enfatiza que irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.

Em relação aos seus próximos passos, o Comitê antevê como mais adequada, neste momento, a redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros. Essa sinalização reflete o estágio do ciclo de aperto, cujos efeitos cumulativos se manifestarão ao longo do horizonte relevante. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza. 

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio USD/BRL observada nos cinco dias úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom.

Fonte: Banco Central do Brasil