Sem categoria

PIM mais uma vez ameaçado

Desde que me entendo por gente, como caboco amazonense, vejo a nossa Zona Franca ameaçada por medidas advindas do poder executivo, seja do atual ou de governos anteriores.

É certo que devemos ser defensores intransigentes do nosso principal modelo econômico, o Polo Industrial de Manaus, haja vista, que ele gera cerca de 400 mil empregos diretos e indiretos, sendo assim a base da nossa economia.

O nosso modelo de desenvolvimento surgiu em 1967, durante o regime militar, por meio do Decreto-Lei nº 288/67. A finalidade inicial desse projeto era estabelecer incentivos fiscais por 30 anos para criar um polo industrial, comercial e agropecuário na Amazônia.

O Decreto Nº 10.979, que reduz o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), publicada nesta sexta-feira (25) pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) abrange veículos e eletrodomésticos da linha branca, como geladeira, freezers e máquinas de lavar. Há também redução para bebidas alcoólicas, que o reduz em 25%, atinge em cheio boa parte dos produtos produzidos no nosso polo, diminuindo drasticamente as nossas bases comparativas em relação aos demais estados da federação, podendo vir a culminar em fechamento de industrias e consequentemente desemprego em massa.

O Sr Ministro da Economia, Paulo Guedes com suas ideias liberalistas, tem se colocado contra qualquer incentivo ou beneficio fiscal, sem observar as circunstancias locais e os graves prejuízos que pode trazer para economia do nosso estado, dependente quase que 100% do PIM. Prefiro acreditar que seja por ignorância e não por maldade que tem tomado medidas como essa. Fala aos quatro ventos que devemos investir no crédito de carbono, coisa que nem regulamenta está. Como se em um estalar de dedos conseguíssemos virar a chave e mudar um modelo econômico. Qualquer outra matriz econômica que venha a ser implantada, levará pelo menos 30 anos para se concretizar e substituir o modelo atual.

Esse decreto acabará com o PIM, tenho certeza que não, entretanto, hoje é esse amanhã pode ser outro até que morramos de inanição. O mais duro de tudo isso é ver amazonenses anencéfalos por idolatria defenderem essa medida.

Tenho meu posicionamento quanto a isso! A verdade é, que nos últimos 40 anos de um único grupo que governa nosso estado e nossa cidade, nunca se preocupou em criar ou incentivar novas matrizes econômicas. Nossa vocação natural é o turismo em todas as suas vertentes, a biotecnologia, o biocomércio, a pesca esportiva, a piscicultura, minério e outras riquezas de nossa flora, que podem ser exploradas de forma sustentável, sem degradação do nosso bioma. Deus nos deu de graça belezas impares e infelizmente não as exploramos como deveríamos.

Sempre me pego em reuniões ou debates econômicos a respeito do Amazonas, cito como exemplo o turismo da pesca esportiva do tucunaré. Temos potencial de pesca durante pelo menos 9 meses por ano em diferentes municípios de nosso Estado.

Final de agosto, inicio de setembro começa a temporada de pesca no Amazonas, comum vermos centenas ou talvez milhares de pescadores esportivos chegarem no aeroporto vindos de diferentes estados e de outros países, com suas tralhas para pescar em nossa região, sem que tenha ao menos um receptivo. Eles chegam vão direto para lugar da pesca e o mesmo caminho fazem de volta, sem ter pelo menos um dia de estadia na cidade.

Será que ninguém nunca pensou em fazer uma “Feira Internacional de Pesca e Turismo no Amazonas“, com atrações musicais, gastronômicas e outros? Lhes digo, eu penso e sempre defendi a realização. Quando o Remero Reis esteve na presidência do CODESE, começamos a elaborar o projeto, mas, com a chegada da pandemia paramos. Um evento como esse, bem divulgado atrairia a atenção do mundo inteiro sem tanto esforço e com certeza passaria a fazer parte do nosso calendário de eventos.

O grande exemplo de visão de futuro, é DUBAI, que tem como a sua principal matriz econômica, o petróleo. Transformou parte de seu deserto em atração turística, pois, sabem que os combustíveis fósseis são fontes de energia finitas e que precisam se preparar para substitui-la.

O nosso PIM tem prazo de validade e me parece que ninguém se dá conta disso. A pergunta que fica é, o que nossos representantes tem feito para buscar novas matrizes para nossa economia? Essa deveria ser a maior preocupação e não a prática de politicas assistencialistas/eleitoreiras já pensando nas próximas eleições e em sua reeleição.

Temos uma marca consolidada no mundo Inteiro que é a “AMAZÔNIA”, precisaríamos somente que os nossos governantes investissem em infraestrutura para atrair investimentos da iniciativa privada, possibilitando a substituição gradual de nosso modelo. O turismo seria a porta de entrada para vários outros investimentos.

Manoel Júnior – Contador/Advogado.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s