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Os desafios do Cardeal Leonardo Steiner

Por Carlos Santiago


O Arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner foi anunciado pelo Papa Francisco, no último domingo, 29/05, como o novo cardeal católico da região amazônica, cujos desafios são enormes, pois envolvem: a vida humana, encontro de culturas de povos, conflitos ambientais, misérias e riquezas, modelos de economias, vários tipos de violências, ausência de políticas públicas e muita corrupção.


A decisão do Papa não é somente religiosa, de cuidar da vida espiritual das pessoas da Amazônia ou da organização do catolicismo no espaço da região. Busca, também, a compreensão das realidades e modos de vida dos povos tradicionais, bem como de expor as necessidades que passam as populações, contribuindo com o debate sobre o bioma amazônico e causas socialmente justas tão esquecidas pelos governantes.


O Sínodo de 2019, convocado pelo Vaticano para tratar de tema específico, trouxe o bioma amazônico para o centro das discussões e debateu: a complexa situação das comunidades indígenas e ribeirinhas, em especial os povos isolados; a exploração internacional dos recursos naturais da Amazônia; a violência, o narcotráfico e a exploração sexual dos povos locais; o extrativismo ilegal e/ou insustentável; o desmatamento, o acesso à água limpa e ameaças à biodiversidade; o aquecimento global e possíveis danos irreversíveis à Amazônia; a conivência de governos com projetos e grupos econômicos que prejudicam o meio ambiente.


Os desafios do Cardeal Steiner residem na efetivação de documentos e diagnósticos expostos no Sínodo, com maior participação da Igreja na defesa dos povos indígenas e na construção de uma Amazônia sem violência, sem miséria, sem escravidão imposta pelo grande capital e ecologicamente saudável para todos, um bioma de harmonia entre homem e a natureza.


Não é segredo que a Amazônia brasileira passa por uma forte influência da economia extrativista mineral e do agronegócio, da política armamentista, do crescimento das igrejas evangélicas e da cultura militar que há décadas estão na região por meio da assistência social ou com ocupação de fronteiras.


Soma-se a corrupção e os péssimos gestores que colocam a Amazônia como ambiente povoado por pessoas pobres e cidades com negativos índices de Desenvolvimento Humano Municipal, em que a desigualdade está justamente nos municípios com área de maior concentração de desmatamento.


A Igreja Católica não irá fazer ou substituir o Estado brasileiro na promoção e realização de políticas públicas, mas pode, dentro de suas limitações constitucionais, reclamar por cidadania, por ética na política, por voto consciente e pelo respeito às culturas e manifestações dos povos na Amazônia.


Esse cristianismo católico deve, inclusive, reconhecer seus erros nas diversas relações com os povos indígenas, pois o mundo é outro e os diálogos também.


Não existem margens para erros e desconhecimentos. É preciso fazer ecoar as vozes dos povos tradicionais da Amazônia e reconhecer os seus saberes ancestrais e modos peculiares de vida, tão importantes para a manutenção e equilíbrio entre homem e natureza.


Portanto, nós amazônidas devemos comemorar a nomeação para Cardeal de Dom Leonardo Steiner, um franciscano que tem se dedicado à formação de padres, à vida espiritual do povo brasileiro, na defesa da Amazônia, na promoção da cidadania e na luta por um país justo e de fé.


Sociólogo, Analista Político e Advogado.

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Papa Francisco nomeia cardeal Dom Leonardo Steiner

O Papa Francisco deu a conhecer no Ângelus da Solenidade da Ascensão do Senhor o nome dos novos cardeais da Igreja. Na lista aparecem 16 novos cardeais eleitores e mais 5 que já superaram a idade de 80 anos, idade limite para participar de um futuro Conclave.

Entre os novos cardeais está Dom Leonardo Ulrich Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus, e o Arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa.

*Dom Leonardo Ulrich Steiner*, que assumiu a Arquidiocese de Manaus em janeiro de 2020, é o primeiro cardeal da Amazônia brasileira, uma região de particular importância para o Papa Francisco. Após a celebração do Sínodo para a Amazônia, em outubro de 2019, a nomeação do novo Cardeal Steiner, que receberá seu capelo no consistório do dia 27 de agosto, é um novo impulso para uma Igreja missionária e encarnada na vida dos povos.

Para o Regional Norte1, a nomeação do Arcebispo de Manaus como novo cardeal da Igreja católica representa um motivo de grande alegria e mais uma prova do grande carinho que o Papa Francisco tem pela Igreja da Amazônia e pelos povos que a habitam. Sem dúvida, os povos da Amazônia têm mais uma voz profética em sua defesa no meio a tantas ameaças que os cercam.

*Fonte:* Luis Miguel Modino, assessor de comunicação da CNBB Norte 1

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A política do pão e circo

Carlos Santiago




Uma crescente miséria, governos desacreditados, péssimos serviços públicos oferecidos à população, povo sem esperança no futuro e muita corrupção, são realidades sufocadas pela política do pão e circo, tão antiga, mas que é ainda, muito determinante no imenso estado do Amazonas.

Não… não… não é a história do Império Romano, em que os imperadores conseguiam acalmar a inquietação social e a fome da população com espetáculos de gladiadores e de animais ferozes nos coliseus e com a distribuição de cereais aos famintos para que os governantes fossem adorados e tivessem longos períodos de reinado, mas é sim, a política real nos dias atuais.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e o Ministério da Cidadania divulgaram no último mês de fevereiro, por exemplo, uma triste constatação: 12 estados brasileiros têm mais pessoas recebendo o Auxílio Brasil do que trabalhadores com carteira assinada. O Amazonas é um desses estados, onde o auxílio estatal assegura o benefício a milhares de brasileiros, superando o número de pessoas com carteira assinada.

É de conhecimento público que o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDHM, que define a qualidade de vida dos municípios nas áreas longevidade, da educação e renda, é uma vergonha na maioria das cidades do interior do Amazonas. As péssimas condições de vida elevam o estado e a região Amazônica, como territórios com extrema pobreza e com péssimos gestores.

No plano político, famílias e pequenos grupos de empresários controlam municípios há décadas, mesmo com contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas e inúmeros processos de improbidade administrativa no Poder Judiciário. Há muita impunidade, há muita riqueza desviada e falta transparência!

Com a pandemia da Covid-19, com as enchentes naturais e com o ano eleitoral, governantes começaram a entregar ranchos, cartões de benefícios financeiros, peixes, absorvente feminino e a contratar shows caros de artistas famosos sem qualquer licitação, uma união da comida com a festa.

Nada de resolução de problemas estruturais, como a produção de alimentos, a ampliação da saúde básica, falta de água tratada, a destinação correta do lixo, ausência de creches e o ordenamento do espaço urbano. Tais demandas não estão em primeiro plano. Sequer existe um plano de desenvolvimento econômico municipal.

A capital amazonense não fica distante do pão e circo. Já teve muita distribuição de rancho, de cartões e anúncios de que seria a cidade olímpica com a construção da Vila Olímpica; que estaria na condição da cidade do futebol com a realização da Copa do Mundo; e já andam falando que Manaus será esportiva com a realização da maratona de rua. Mas, a cidade continua sem um plano real para o presente e para o futuro.

É muito difícil romper com a política do pão e circo. O povo anda cabisbaixo, o custo de vida ficou mais caro, a dignidade não tem voz, a fome tem pressa, os músicos encantam e os poderosos ficam mais poderosos, mas quem sabe…toda essa situação pode se transformar em mudanças nas urnas… Talvez. Um dia o poderoso Império Romano também ruiu.



Sociólogo, Analista Político e Advogado.

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Comitê encaminha denúncia à Procuradoria Regional Eleitoral contra pedido explícito de votos para pré-candidatos realizado pela Assembleia de Deus


O Comitê Amazonas de Combate à Corrupção encaminhou, nesta quarta-feira, 27/04, denúncia à Procuradoria Regional Eleitoral do Amazonas – PRE/AM sobre os pedidos de votos feitos pelo vice-presidente da Igreja Assembleia de Deus (IEADAM), pastor Moisés Melo, dirigidos aos fiéis desta congregação religiosa, tendo como beneficiários os pré-candidatos Silas Câmara, Dan Câmara e Joelson Silva, no dia 23/04/2022 (sábado), no auditório da Igreja Canaã, localizado na avenida Rodrigo Otávio, 5581 – Japiim, Manaus, Amazonas.

Segundo o noticiado pela imprensa, os pré-candidatos estavam presentes no palco, sendo enaltecidos pelo religioso, o qual inclusive estipula meta de votos necessária para a vitória dos pré-candidatos nas eleições de outubro próximo. O evento teria sido transmitido por uma emissora de televisão (TV Boas Novas) e por canal oficial no YouTube da Igreja.

Para o Comitê, houve a configuração de propaganda eleitoral antecipada, prática vedada pela legislação, ex vi do art. 36-A da Lei de Eleições, o que merece a devida apuração por parte do Parquet eleitoral.

Ao final da denúncia encaminhada à PRE/AM, o Comitê solicita apreciação da demanda posta para que sejam tomadas as providências judiciais cabíveis.

Manaus, 27 de abril de 2022.


Assessoria de Comunicação
Comitê Amazonas de Combate à Corrupção

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Voto Consciente

Por Carlos Santiago

É uma atitude de amor ao país. O voto consciente tem o objetivo de melhorar o sistema político, a qualidade da política e dos governantes, os serviços públicos oferecidos, os órgãos de fiscalizações estatais, ampliar e fortalecer a democracia.

Para chegar ao voto consciente, o eleitorado deve levar em consideração: o conhecimento da vida política, social e profissional do candidato; saber sobre as atribuições de cada cargo eletivo em disputa; conhecer as regras eleitorais; saber se são necessárias e exequíveis as propostas apresentadas pelo candidato; conhecer a ideologia política defendida pelo partido e pelo candidato; e identificar os financiadores da campanha.

Nunca foi tarefa fácil obter informações. Porém, é necessária. Num mundo cheio de instrumentos de comunicação, com o uso da internet, das redes sociais e de aplicativos de mensagens, ficou mais simples encontrar notícias sobre a vida política e profissional do candidato.

Muito importante conhecer as atribuições específicas de cada cargo em disputa. Quais as atribuições de um presidente e de um governador? Quais as funções de um senador da República? Quais as funções de um deputado federal e de um deputado estadual? Essas questões são fundamentais e suas respostas ajudarão o eleitor a votar com clareza e posteriormente cobrar o que não foi feito e fiscalizar os realizados.

E a regra do jogo eleitoral? Os dois tipos de sistema de votação: o majoritário e proporcional. Como funcionam esses dois sistemas de votação? Por exemplo, o presidente é eleito pelo sistema majoritário. O mais votado vence no primeiro ou no segundo turno das eleições. Senador da República e governador de Estado também são eleitos pelo sistema majoritário. É fundamental conhecer melhor essa forma de votação.

Já o deputado e o vereador são eleitos pelo sistema proporcional. Seus partidos ou federações partidárias precisam alcançar o quociente eleitoral, o mais votado nem sempre é o eleito. O eleitor precisa conhecer esse sistema de votação.

E, no caso das propostas apresentadas pelos postulantes, são possíveis de realizações ou não? Assim é possível identificar quem lança proposta distante das suas funções e não cair no velho jogo da enganação. Parlamentar pode prometer asfalto e construir escolas? Governador pode propor plebiscito e o asfaltamento de uma estrada federal?

O que pensa o candidato sobre a economia, a pobreza, a segurança pública, a educação, a corrupção, o papel do governo no desenvolvimento social, os povos indígenas e a democracia? Esses e outros temas de interesses coletivos são importantes, pois o voto pode impactar nas decisões sobre esses assuntos.

E a ideologia política do candidato? É uma bandeira que está de acordo com a sua posição política? Ou é tão somente um partido sem compromisso ideológico? Sem coerência e apenas uma sigla de aluguel para disputar as eleições?

O financiamento de uma campanha deve ser observado. Quem são os doadores? São recursos financeiros públicos ou são privados. Tudo isso pode indicar o compromisso do político durante e depois da campanha.

Em 2022, teremos eleições gerais. O voto é muito importante para o fortalecimento da democracia e para melhorar o Brasil. Mas, é preciso de um eleitor consciente que queira melhorar esse país.



Sociólogo, Analista Político e Advogado.

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Comitê de Combate à Corrupção lança agenda de ações para o ano eleitoral de 2022

A Coordenação do Comitê de Combate à Corrupção realizou na manhã do dia 20 de abril, no auditório da Cúria Arquidiocesana, o anúncio das suas atividades que serão desenvolvidas para o processo eleitoral das eleições gerais de 2022.  Criado há 8 anos, este é um comitê de entidades da Sociedade Civil ligado ao Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral que foi criado com o objetivo de propor normas, realizar atividades de fiscalização e promover ações educativas destinadas a tornar o sistema político brasileiro mais inclusivo, com eleições limpas e transparentes.

Estiveram presentes Dom Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus; Carlos Santiago, presidente da Comissão de Reforma Política e Combate à Corrupção da OAB AM; Marcus Evangelista, presidente do Conselho Regional de Economia – CORECON; Manoel Júnior, vice-presidente do Conselho Federal de Contabilidade; André Caria, vice-presidente do Conselho Regional de Contabilidade; Nelson Aniceto, presidente do Conselho Regional de Administração – AM; Inácio Guedes dirigente do Movimento Nacional de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE; Wilson Reis, presidente do Sindicato dos jornalistas profissionais do Amazonas; Elcilene Rocha, coordenadora do Grupo de Trabalho de Combate à Violência Política Contra Gênero; e Cassius Clei, Conselheiro da OAB AM e representante do presidente Jean Cleuter.

Durante oito anos o comitê vem promovendo ações de educação política, fiscalização e comunicado da ocorrência de crimes de corrupção aos órgãos competentes para apuração e propositura das medidas judiciais cabíveis.  

As ações deste comitê proposta para este ano foram:

• Curso de Multiplicadores do Voto Consciente nas versões digital, presencial, via programa radiofônico e podcast, para alcançar o maior número possível de eleitores no Amazonas;
• Grupo de Trabalho de Combate à Violência Política Contra Gênero. Serão realizados cursos (o primeiro será nos dias 28 e 29 de abril) produção de cartilha e atividades de prevenção e recebimento de denúncia que serão enviadas aos órgãos competentes;
• Lives que acontecerão uma vez por mês até julho, após esse mês será quinzenal, sobre a conscientização do voto consciente, o voto ético, eleições limpas e o Direito Eleitoral;
 • Seminário sobre os malefícios da fake news para a democracia e o processo eleitoral. Será realizado na segunda quinzena do mês de julho;
• Carta de Compromisso para que os candidatos ao governo assinem. Conteúdo: compromisso com a ética, com a transparência dos recursos públicos, com a defesa da Zona Franca de Manaus, com os projetos de desenvolvimento regional sustentável alternativos ao modelo ZFM, com o combate à pobreza, com a segurança pública, com os povos indígenas e outros. Ficará disponível aos candidatos a partir de 16 de agosto de 2022;
• Debates com os candidatos ao Governo do Amazonas. Programado para o mês de setembro;
• Recebimento de denúncias, fiscalizações e envio de irregularidades aos órgãos competentes.

Para Dom Leonardo Steiner, trata-se de uma manifestação da sociedade que deseja cuidar das eleições, para que sejam limpas, justas, que proporcionem a possibilidade de elegermos pessoas que estejam à disposição da sociedade brasileira. “É importante essa manifestação e esse acompanhamento, pois assim nós vamos ajudando as pessoas, a sociedade a se educar cada vez mais para eleger bem, dar bem o seu voto, um voto consciente”, destacou o arcebispo de Manaus.

Conforme o advogado Carlos Santiago, atualmente o Comitê tem sua sede no Conselho de Regional de Contabilidade e neste local serão recebidas todo tipo de denúncia quanto às irregularidades cometidas nessas eleições, e será produzido um documento a ser encaminhado aos órgãos competentes. Destacou também que o comitê irá oferecer à sociedade o curso “Multiplicadores do Voto Consciente”, com a finalidade de orientar o eleitor a votar de forma consciente, ético e pelo bom comum, e também ensinar a como fazer as denúncias.

Assessoria de Comunicação do Comitê Amazonas de Combate à Corrupção

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Comitê anticorrupção reforça parceria com o Ministério Público para as eleições 2022

Membros do Comitê Amazonas de Combate à Corrupção reuniram-se, nesta quarta-feira (30/03) com o Procurador-geral de Justiça, Promotor de Justiça, Alberto Rodrigues do Nascimento Júnior e o Promotor Eleitoral, Mauro Veras, na sede do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM) para tratar de parcerias sobre o processo eleitoral 2022. No centro das abordagens destacaram-se os temas como o combate à fake news, a sensibilização para o voto consciente nos municípios e o observatório regional de combate à violência eleitoral contra mulheres.

O Procurador Geral exaltou a iniciativa do Comitê e destacou a importância de unir os esforços com os programas desenvolvidos pelo MPE-AM, especialmente na campanha do Voto Consciente e o combate à violência política contra mulheres.

O coordenador das Promotorias Eleitorais agradeceu as ações do Comitê no combate às fake news e se colocou à disposição para receber as denúncias a serem encaminhadas pelo Comitê no Estado.

Por fim, o procurador-geral defendeu a parceria da sociedade civil com o MPE/AM, pois entende que no processo democrático é fundamental que todos os atores interessados em fortalecer a democracia devem estar unidos para combater interesses que insistem em violar a legislação vigente e os princípios da igualdade de participação no certame eleitoral.

Os membros do Comitê parabenizaram o trabalho do MPE/AM e a sinalização de uma parceria promissora para a Democracia e a Gestão Pública no Amazonas.

Representaram o Comitê nesta reunião os advogados Carlos Santiago, Elcilene Rocha, Aparecida Veras e Inácio Guedes.

Manaus, Am, 30 março de 2022.

Assessoria de Comunicação do Comitê Amazonas de Combate à Corrupção.

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Câmara de vereadores muito aquém dos desafios de Manaus

Carlos Santiago
Sociólogo, Analista Político e Advogado

O município de Manaus é o 6° mais rico do Brasil, o 7° em número de habitantes e o mais expressivo da Região Norte na área econômica e no tamanho populacional. É politicamente muito estratégico, com mais de um milhão de eleitores, e está no coração da Amazônia. Claro que não existem somente riquezas e belezas, o município tem muitos problemas e desafios que precisam de soluções imediatas e para o futuro. Porém, ainda possui governantes muito aquém de sua importância, das necessidades atuais e dos desafios de construir uma Manaus para as próximas gerações.

          A mobilidade urbana de Manaus é precária. Na ausência de um transporte coletivo decente, há o aumento do número de carros particulares circulando e da quantidade de automóveis de aplicativos, além de motos e micro-ônibus ilegais, o que aumenta ainda mais o caos. Os ônibus de passageiros fazem parte de uma frota velha e corroída, circulam lotados e seus subsídios são cada vez maiores. Somam-se a tudo isso, as dificuldades das autoridades públicas em apontar um novo modelo de transporte coletivo visando melhorias em futuro próximo.

       O município continua crescendo desordenadamente. Invasões de terras, agressões ao meio ambiente, moradias em áreas de riscos, surgimento de bairros sem planejamento e inexistência de programa de moradia popular. Não há movimentação, debates e propostas efetivas para o ordenamento urbano atual e nem planejamento ao futuro. 

      Os rios, os lagos e os igarapés continuam poluídos. A flora e a fauna estão desaparecendo das áreas urbanas. Os lixos continuam sendo lançados na natureza sem qualquer cuidado. O lixão administrado pelo Poder Público nem causa mais vergonha aos governantes. As soluções voltadas para salvaguardar o meio ambiente de agressões presentes e futuras são ínfimas, o que aumenta o temor de lagos e de igarapés desaparecerem. 

          O Poder Legislativo de Manaus poderia levantar o debate sobre o presente e o futuro de Manaus. Ele possui um orçamento milionário, atribuições constitucionais valorosas, uma sede própria e gasta muito dinheiro do contribuinte com pagamento de benefícios aos vereadores e com atividades promovidas por eles.

       A Câmara de Manaus tem um orçamento estimado de R$ 200 milhões para 2022. É muito dinheiro. E toda vez que o orçamento do município cresce o repasse de dinheiro ao Poder Legislativo também cresce. Quanto mais dinheiro nos cofres públicos, mais verbas para a Câmara de Vereadores. Então, não faltam recursos financeiros aos vereadores para que desenvolvam suas funções constitucionais.

      A Constituição Federal e a Lei Orgânica de Manaus dão autonomias legislativas aos parlamentares das cidades em assuntos locais e determinam o dever de fiscalizar os atos do Poder Executivo, aprovar ou não as contas do prefeito, propor e aprovar leis que beneficiem todos e tragam o bem comum. Além disso, pela regra constitucional, cabe à Câmara propor realizações de plebiscitos, durante o ano eleitoral,  sobre temas importantes para os munícipes.   

        No entanto, a atual legislatura tem-se mostrado muito aquém de suas funções legais. Não fiscaliza e nem cobra o prefeito. Prefere envolvimento em atos vergonhosos, como por exemplos: o aumento do cotão, a compra de kit selfie para vereadores, compra de imóveis caros, várias dispensas de licitações, deixando em segundo plano, temas estruturais que impactam o presente e o futuro da cidade.           Manaus precisa de governantes a altura de sua importância e dos seus desafios, e ainda, de homens e de mulheres comprometidos com as próximas gerações e com a relevância política, social e econômica do município.

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Narrativas da morte

Por Carlos Santiago*

       O homo sapiens construiu sua história sobre narrativas para justificar guerras sanguinárias, alimentar a maldade, promover intolerâncias e arrebanhar milhões de pessoas para adorar crenças fúteis e seguir ideologias escravizadoras do ser humano que os ensinam a agir violentamente com sorriso no rosto.

         A origem da sobrevivência humana foi embalada pela lei do mais forte, da imposição entre vida e morte; destino, natureza e ímpeto humano se mesclavam dando o direcionamento do sucesso na empreitada da vida. A narrativa escolhida iluminava os vencedores. Esse olhar sobre a vida e sobre o mundo o transformava em caça ou caçador, vencedor ou vencido, senhor da natureza ou seu subserviente. Era um tempo de luta e vigília.

         Proteger a terra sagrada de Deus, o lugar santo. Expulsar os pecadores e os que cultuam e celebram outras religiões. As recompensas foram o perdão dos pecados terrenos, riquezas, títulos de nobreza e o encontro com o criador de tudo, após a morte. Matar e morrer, em nome dos deuses, se justificam. Era um tempo de crença e intolerância.

         Defender e matar em nome da honra do rei, em defesa dos burgos, em homenagem ao representante do divino na terra. As forças, as fogueiras para queimar humanos, as flechas e os corpos dilacerados, eram destinos dos contrários. Pela honra do rei, pela fé e pelo território do reinado, justificavam matar e morrer. Salve Vossas Majestades e a Santa Igreja! Era um tempo de religião, de servidão e de intolerância.

         A morte de um arquiduque, herdeiro do trono austríaco, e de sua esposa, os interesses econômicos e disputas por territórios das riquezas e exploradas colônias, causaram o fim de vidas. Matança movida por ressentimentos, vingança e a ideia de nacionalismo e de patriotismo, legitimavam ações de mortes humanas. Era um tempo de guerras, vinganças e explorações estatais.

        Racismos, autoritarismos, ditaduras, patriotismos, capitalismos, fascismos e comunismos, impulsionaram a aniquilação de milhões de pessoas, perseguição e separação de povos, incorporação de territórios, explosão de bomba atômica e pena de mortes para milhões de inimigos políticos. Mortes, mortes…e o fortalecimento de utopias que escravizam ainda mais inocentes úteis e malvados doutrinadores da desgraça do homem. Era um tempo de ideologias e cegueira histórica.

        Guerra fria que de fria só tinha o nome, milhões de vidas foram ceifadas. Dinheiros incalculáveis foram gastos com armas e tornou o mundo, ainda mais, em lugar de países fortes e fracos, desenvolvidos e pobres, governantes importantes e governantes bajuladores, com um órgão internacional criado para manter as relações de forças e de subserviência. Era um tempo de discórdia política e de política de morte.

          Empresas lucraram com as guerras, políticos autoritários ficaram mais fortes, intolerâncias religiosas ainda movem conflitos, as desigualdades econômicas só crescem. Um tempo do lucro e da fome.

        O homo sapiens criou suas celas, suas gaiolas, seus modelos econômicos, seus paradigmas políticos, suas organizações sociais, meios de expressões, filosofias, acordos internacionais e conhecimento científico para, na maioria das vezes, destruir o próximo.

           No atual contexto do mundo, inúmeras narrativas foram construídas para justificar uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Todos os lados afirmam razões para o conflito armado. Todos se declaram donos da verdade. Vive-se um tempo obscuro da desrazão.

         É mais uma guerra construída pelo ser humano, mais mortes acontecerão, pois as narrativas para matar o outro sempre existiram. Os tempos mostram que o ceifador do homem sempre foi o próprio homem.

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PIM mais uma vez ameaçado

Desde que me entendo por gente, como caboco amazonense, vejo a nossa Zona Franca ameaçada por medidas advindas do poder executivo, seja do atual ou de governos anteriores.

É certo que devemos ser defensores intransigentes do nosso principal modelo econômico, o Polo Industrial de Manaus, haja vista, que ele gera cerca de 400 mil empregos diretos e indiretos, sendo assim a base da nossa economia.

O nosso modelo de desenvolvimento surgiu em 1967, durante o regime militar, por meio do Decreto-Lei nº 288/67. A finalidade inicial desse projeto era estabelecer incentivos fiscais por 30 anos para criar um polo industrial, comercial e agropecuário na Amazônia.

O Decreto Nº 10.979, que reduz o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), publicada nesta sexta-feira (25) pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) abrange veículos e eletrodomésticos da linha branca, como geladeira, freezers e máquinas de lavar. Há também redução para bebidas alcoólicas, que o reduz em 25%, atinge em cheio boa parte dos produtos produzidos no nosso polo, diminuindo drasticamente as nossas bases comparativas em relação aos demais estados da federação, podendo vir a culminar em fechamento de industrias e consequentemente desemprego em massa.

O Sr Ministro da Economia, Paulo Guedes com suas ideias liberalistas, tem se colocado contra qualquer incentivo ou beneficio fiscal, sem observar as circunstancias locais e os graves prejuízos que pode trazer para economia do nosso estado, dependente quase que 100% do PIM. Prefiro acreditar que seja por ignorância e não por maldade que tem tomado medidas como essa. Fala aos quatro ventos que devemos investir no crédito de carbono, coisa que nem regulamenta está. Como se em um estalar de dedos conseguíssemos virar a chave e mudar um modelo econômico. Qualquer outra matriz econômica que venha a ser implantada, levará pelo menos 30 anos para se concretizar e substituir o modelo atual.

Esse decreto acabará com o PIM, tenho certeza que não, entretanto, hoje é esse amanhã pode ser outro até que morramos de inanição. O mais duro de tudo isso é ver amazonenses anencéfalos por idolatria defenderem essa medida.

Tenho meu posicionamento quanto a isso! A verdade é, que nos últimos 40 anos de um único grupo que governa nosso estado e nossa cidade, nunca se preocupou em criar ou incentivar novas matrizes econômicas. Nossa vocação natural é o turismo em todas as suas vertentes, a biotecnologia, o biocomércio, a pesca esportiva, a piscicultura, minério e outras riquezas de nossa flora, que podem ser exploradas de forma sustentável, sem degradação do nosso bioma. Deus nos deu de graça belezas impares e infelizmente não as exploramos como deveríamos.

Sempre me pego em reuniões ou debates econômicos a respeito do Amazonas, cito como exemplo o turismo da pesca esportiva do tucunaré. Temos potencial de pesca durante pelo menos 9 meses por ano em diferentes municípios de nosso Estado.

Final de agosto, inicio de setembro começa a temporada de pesca no Amazonas, comum vermos centenas ou talvez milhares de pescadores esportivos chegarem no aeroporto vindos de diferentes estados e de outros países, com suas tralhas para pescar em nossa região, sem que tenha ao menos um receptivo. Eles chegam vão direto para lugar da pesca e o mesmo caminho fazem de volta, sem ter pelo menos um dia de estadia na cidade.

Será que ninguém nunca pensou em fazer uma “Feira Internacional de Pesca e Turismo no Amazonas“, com atrações musicais, gastronômicas e outros? Lhes digo, eu penso e sempre defendi a realização. Quando o Remero Reis esteve na presidência do CODESE, começamos a elaborar o projeto, mas, com a chegada da pandemia paramos. Um evento como esse, bem divulgado atrairia a atenção do mundo inteiro sem tanto esforço e com certeza passaria a fazer parte do nosso calendário de eventos.

O grande exemplo de visão de futuro, é DUBAI, que tem como a sua principal matriz econômica, o petróleo. Transformou parte de seu deserto em atração turística, pois, sabem que os combustíveis fósseis são fontes de energia finitas e que precisam se preparar para substitui-la.

O nosso PIM tem prazo de validade e me parece que ninguém se dá conta disso. A pergunta que fica é, o que nossos representantes tem feito para buscar novas matrizes para nossa economia? Essa deveria ser a maior preocupação e não a prática de politicas assistencialistas/eleitoreiras já pensando nas próximas eleições e em sua reeleição.

Temos uma marca consolidada no mundo Inteiro que é a “AMAZÔNIA”, precisaríamos somente que os nossos governantes investissem em infraestrutura para atrair investimentos da iniciativa privada, possibilitando a substituição gradual de nosso modelo. O turismo seria a porta de entrada para vários outros investimentos.

Manoel Júnior – Contador/Advogado.