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Voto consciente

É uma atitude de amor ao país. O voto consciente tem o objetivo de melhorar o sistema político, a qualidade da política e dos governantes, os serviços públicos oferecidos, os órgãos de fiscalizações estatais, ampliar e fortalecer a democracia.

Para chegar ao voto consciente, o eleitorado deve levar em consideração: o conhecimento da vida política, social e profissional do candidato; saber sobre as atribuições de cada cargo eletivo em disputa; conhecer as regras eleitorais; saber se são necessárias e exequíveis as propostas apresentadas pelo candidato; conhecer a ideologia política defendida pelo partido e pelo candidato; e identificar os financiadores da campanha.

Nunca foi tarefa fácil obter informações. Porém, é necessária. Num mundo cheio de instrumentos de comunicação, com o uso da internet, das redes sociais e de aplicativos de mensagens, ficou mais simples encontrar notícias sobre a vida política e profissional do candidato.

Muito importante conhecer as atribuições específicas de cada cargo em disputa. Quais as atribuições de um presidente e de um governador? Quais as funções de um senador da República? Quais as funções de um deputado federal e de um deputado estadual? Essas questões são fundamentais e suas respostas ajudarão o eleitor a votar com clareza e posteriormente cobrar o que não foi feito e fiscalizar os realizados. E a regra do jogo eleitoral? Os dois tipos de sistema de votação: o majoritário e proporcional.

Como funcionam esses dois sistemas de votação? Por exemplo, o presidente é eleito pelo sistema majoritário. O mais votado vence no primeiro ou no segundo turno das eleições. Senador da República e governador de Estado também são eleitos pelo sistema majoritário. É fundamental conhecer melhor essa forma de votação. Já o deputado e o vereador são eleitos pelo sistema proporcional. Seus partidos ou federações partidárias precisam alcançar o quociente eleitoral, o mais votado nem sempre é o eleito.

O eleitor precisa conhecer esse sistema de votação. E, no caso das propostas apresentadas pelos postulantes, são possíveis de realizações ou não? Assim é possível identificar quem lança proposta distante das suas funções e não cair no velho jogo da enganação.

Parlamentar pode prometer asfalto e construir escolas? Governador pode propor plebiscito e o asfaltamento de uma estrada federal? O que pensa o candidato sobre a economia, a pobreza, a segurança pública, a educação, a corrupção, o papel do governo no desenvolvimento social, os povos indígenas e a democracia? Esses e outros temas de interesses coletivos são importantes, pois o voto pode impactar nas decisões sobre esses assuntos. E a ideologia política do candidato? É uma bandeira que está de acordo com a sua posição política? Ou é tão somente um partido sem compromisso ideológico? Sem coerência e apenas uma sigla de aluguel para disputar as eleições? O financiamento de uma campanha deve ser observado.

Quem são os doadores? São recursos financeiros públicos ou são privados. Tudo isso pode indicar o compromisso do político durante e depois da campanha. Em 2022, teremos eleições gerais. O voto é muito importante para o fortalecimento da democracia e para melhorar o Brasil. Mas, é preciso de um eleitor consciente que queira melhorar esse país.

Sociólogo, Analista Político e Advogado

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Os desafios do Cardeal Leonardo Steiner

Por Carlos Santiago


O Arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner foi anunciado pelo Papa Francisco, no último domingo, 29/05, como o novo cardeal católico da região amazônica, cujos desafios são enormes, pois envolvem: a vida humana, encontro de culturas de povos, conflitos ambientais, misérias e riquezas, modelos de economias, vários tipos de violências, ausência de políticas públicas e muita corrupção.


A decisão do Papa não é somente religiosa, de cuidar da vida espiritual das pessoas da Amazônia ou da organização do catolicismo no espaço da região. Busca, também, a compreensão das realidades e modos de vida dos povos tradicionais, bem como de expor as necessidades que passam as populações, contribuindo com o debate sobre o bioma amazônico e causas socialmente justas tão esquecidas pelos governantes.


O Sínodo de 2019, convocado pelo Vaticano para tratar de tema específico, trouxe o bioma amazônico para o centro das discussões e debateu: a complexa situação das comunidades indígenas e ribeirinhas, em especial os povos isolados; a exploração internacional dos recursos naturais da Amazônia; a violência, o narcotráfico e a exploração sexual dos povos locais; o extrativismo ilegal e/ou insustentável; o desmatamento, o acesso à água limpa e ameaças à biodiversidade; o aquecimento global e possíveis danos irreversíveis à Amazônia; a conivência de governos com projetos e grupos econômicos que prejudicam o meio ambiente.


Os desafios do Cardeal Steiner residem na efetivação de documentos e diagnósticos expostos no Sínodo, com maior participação da Igreja na defesa dos povos indígenas e na construção de uma Amazônia sem violência, sem miséria, sem escravidão imposta pelo grande capital e ecologicamente saudável para todos, um bioma de harmonia entre homem e a natureza.


Não é segredo que a Amazônia brasileira passa por uma forte influência da economia extrativista mineral e do agronegócio, da política armamentista, do crescimento das igrejas evangélicas e da cultura militar que há décadas estão na região por meio da assistência social ou com ocupação de fronteiras.


Soma-se a corrupção e os péssimos gestores que colocam a Amazônia como ambiente povoado por pessoas pobres e cidades com negativos índices de Desenvolvimento Humano Municipal, em que a desigualdade está justamente nos municípios com área de maior concentração de desmatamento.


A Igreja Católica não irá fazer ou substituir o Estado brasileiro na promoção e realização de políticas públicas, mas pode, dentro de suas limitações constitucionais, reclamar por cidadania, por ética na política, por voto consciente e pelo respeito às culturas e manifestações dos povos na Amazônia.


Esse cristianismo católico deve, inclusive, reconhecer seus erros nas diversas relações com os povos indígenas, pois o mundo é outro e os diálogos também.


Não existem margens para erros e desconhecimentos. É preciso fazer ecoar as vozes dos povos tradicionais da Amazônia e reconhecer os seus saberes ancestrais e modos peculiares de vida, tão importantes para a manutenção e equilíbrio entre homem e natureza.


Portanto, nós amazônidas devemos comemorar a nomeação para Cardeal de Dom Leonardo Steiner, um franciscano que tem se dedicado à formação de padres, à vida espiritual do povo brasileiro, na defesa da Amazônia, na promoção da cidadania e na luta por um país justo e de fé.


Sociólogo, Analista Político e Advogado.

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Papa Francisco nomeia cardeal Dom Leonardo Steiner

O Papa Francisco deu a conhecer no Ângelus da Solenidade da Ascensão do Senhor o nome dos novos cardeais da Igreja. Na lista aparecem 16 novos cardeais eleitores e mais 5 que já superaram a idade de 80 anos, idade limite para participar de um futuro Conclave.

Entre os novos cardeais está Dom Leonardo Ulrich Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus, e o Arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa.

*Dom Leonardo Ulrich Steiner*, que assumiu a Arquidiocese de Manaus em janeiro de 2020, é o primeiro cardeal da Amazônia brasileira, uma região de particular importância para o Papa Francisco. Após a celebração do Sínodo para a Amazônia, em outubro de 2019, a nomeação do novo Cardeal Steiner, que receberá seu capelo no consistório do dia 27 de agosto, é um novo impulso para uma Igreja missionária e encarnada na vida dos povos.

Para o Regional Norte1, a nomeação do Arcebispo de Manaus como novo cardeal da Igreja católica representa um motivo de grande alegria e mais uma prova do grande carinho que o Papa Francisco tem pela Igreja da Amazônia e pelos povos que a habitam. Sem dúvida, os povos da Amazônia têm mais uma voz profética em sua defesa no meio a tantas ameaças que os cercam.

*Fonte:* Luis Miguel Modino, assessor de comunicação da CNBB Norte 1

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A política do pão e circo

Carlos Santiago




Uma crescente miséria, governos desacreditados, péssimos serviços públicos oferecidos à população, povo sem esperança no futuro e muita corrupção, são realidades sufocadas pela política do pão e circo, tão antiga, mas que é ainda, muito determinante no imenso estado do Amazonas.

Não… não… não é a história do Império Romano, em que os imperadores conseguiam acalmar a inquietação social e a fome da população com espetáculos de gladiadores e de animais ferozes nos coliseus e com a distribuição de cereais aos famintos para que os governantes fossem adorados e tivessem longos períodos de reinado, mas é sim, a política real nos dias atuais.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e o Ministério da Cidadania divulgaram no último mês de fevereiro, por exemplo, uma triste constatação: 12 estados brasileiros têm mais pessoas recebendo o Auxílio Brasil do que trabalhadores com carteira assinada. O Amazonas é um desses estados, onde o auxílio estatal assegura o benefício a milhares de brasileiros, superando o número de pessoas com carteira assinada.

É de conhecimento público que o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDHM, que define a qualidade de vida dos municípios nas áreas longevidade, da educação e renda, é uma vergonha na maioria das cidades do interior do Amazonas. As péssimas condições de vida elevam o estado e a região Amazônica, como territórios com extrema pobreza e com péssimos gestores.

No plano político, famílias e pequenos grupos de empresários controlam municípios há décadas, mesmo com contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas e inúmeros processos de improbidade administrativa no Poder Judiciário. Há muita impunidade, há muita riqueza desviada e falta transparência!

Com a pandemia da Covid-19, com as enchentes naturais e com o ano eleitoral, governantes começaram a entregar ranchos, cartões de benefícios financeiros, peixes, absorvente feminino e a contratar shows caros de artistas famosos sem qualquer licitação, uma união da comida com a festa.

Nada de resolução de problemas estruturais, como a produção de alimentos, a ampliação da saúde básica, falta de água tratada, a destinação correta do lixo, ausência de creches e o ordenamento do espaço urbano. Tais demandas não estão em primeiro plano. Sequer existe um plano de desenvolvimento econômico municipal.

A capital amazonense não fica distante do pão e circo. Já teve muita distribuição de rancho, de cartões e anúncios de que seria a cidade olímpica com a construção da Vila Olímpica; que estaria na condição da cidade do futebol com a realização da Copa do Mundo; e já andam falando que Manaus será esportiva com a realização da maratona de rua. Mas, a cidade continua sem um plano real para o presente e para o futuro.

É muito difícil romper com a política do pão e circo. O povo anda cabisbaixo, o custo de vida ficou mais caro, a dignidade não tem voz, a fome tem pressa, os músicos encantam e os poderosos ficam mais poderosos, mas quem sabe…toda essa situação pode se transformar em mudanças nas urnas… Talvez. Um dia o poderoso Império Romano também ruiu.



Sociólogo, Analista Político e Advogado.

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Comitê encaminha denúncia à Procuradoria Regional Eleitoral contra pedido explícito de votos para pré-candidatos realizado pela Assembleia de Deus


O Comitê Amazonas de Combate à Corrupção encaminhou, nesta quarta-feira, 27/04, denúncia à Procuradoria Regional Eleitoral do Amazonas – PRE/AM sobre os pedidos de votos feitos pelo vice-presidente da Igreja Assembleia de Deus (IEADAM), pastor Moisés Melo, dirigidos aos fiéis desta congregação religiosa, tendo como beneficiários os pré-candidatos Silas Câmara, Dan Câmara e Joelson Silva, no dia 23/04/2022 (sábado), no auditório da Igreja Canaã, localizado na avenida Rodrigo Otávio, 5581 – Japiim, Manaus, Amazonas.

Segundo o noticiado pela imprensa, os pré-candidatos estavam presentes no palco, sendo enaltecidos pelo religioso, o qual inclusive estipula meta de votos necessária para a vitória dos pré-candidatos nas eleições de outubro próximo. O evento teria sido transmitido por uma emissora de televisão (TV Boas Novas) e por canal oficial no YouTube da Igreja.

Para o Comitê, houve a configuração de propaganda eleitoral antecipada, prática vedada pela legislação, ex vi do art. 36-A da Lei de Eleições, o que merece a devida apuração por parte do Parquet eleitoral.

Ao final da denúncia encaminhada à PRE/AM, o Comitê solicita apreciação da demanda posta para que sejam tomadas as providências judiciais cabíveis.

Manaus, 27 de abril de 2022.


Assessoria de Comunicação
Comitê Amazonas de Combate à Corrupção

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Voto Consciente

Por Carlos Santiago

É uma atitude de amor ao país. O voto consciente tem o objetivo de melhorar o sistema político, a qualidade da política e dos governantes, os serviços públicos oferecidos, os órgãos de fiscalizações estatais, ampliar e fortalecer a democracia.

Para chegar ao voto consciente, o eleitorado deve levar em consideração: o conhecimento da vida política, social e profissional do candidato; saber sobre as atribuições de cada cargo eletivo em disputa; conhecer as regras eleitorais; saber se são necessárias e exequíveis as propostas apresentadas pelo candidato; conhecer a ideologia política defendida pelo partido e pelo candidato; e identificar os financiadores da campanha.

Nunca foi tarefa fácil obter informações. Porém, é necessária. Num mundo cheio de instrumentos de comunicação, com o uso da internet, das redes sociais e de aplicativos de mensagens, ficou mais simples encontrar notícias sobre a vida política e profissional do candidato.

Muito importante conhecer as atribuições específicas de cada cargo em disputa. Quais as atribuições de um presidente e de um governador? Quais as funções de um senador da República? Quais as funções de um deputado federal e de um deputado estadual? Essas questões são fundamentais e suas respostas ajudarão o eleitor a votar com clareza e posteriormente cobrar o que não foi feito e fiscalizar os realizados.

E a regra do jogo eleitoral? Os dois tipos de sistema de votação: o majoritário e proporcional. Como funcionam esses dois sistemas de votação? Por exemplo, o presidente é eleito pelo sistema majoritário. O mais votado vence no primeiro ou no segundo turno das eleições. Senador da República e governador de Estado também são eleitos pelo sistema majoritário. É fundamental conhecer melhor essa forma de votação.

Já o deputado e o vereador são eleitos pelo sistema proporcional. Seus partidos ou federações partidárias precisam alcançar o quociente eleitoral, o mais votado nem sempre é o eleito. O eleitor precisa conhecer esse sistema de votação.

E, no caso das propostas apresentadas pelos postulantes, são possíveis de realizações ou não? Assim é possível identificar quem lança proposta distante das suas funções e não cair no velho jogo da enganação. Parlamentar pode prometer asfalto e construir escolas? Governador pode propor plebiscito e o asfaltamento de uma estrada federal?

O que pensa o candidato sobre a economia, a pobreza, a segurança pública, a educação, a corrupção, o papel do governo no desenvolvimento social, os povos indígenas e a democracia? Esses e outros temas de interesses coletivos são importantes, pois o voto pode impactar nas decisões sobre esses assuntos.

E a ideologia política do candidato? É uma bandeira que está de acordo com a sua posição política? Ou é tão somente um partido sem compromisso ideológico? Sem coerência e apenas uma sigla de aluguel para disputar as eleições?

O financiamento de uma campanha deve ser observado. Quem são os doadores? São recursos financeiros públicos ou são privados. Tudo isso pode indicar o compromisso do político durante e depois da campanha.

Em 2022, teremos eleições gerais. O voto é muito importante para o fortalecimento da democracia e para melhorar o Brasil. Mas, é preciso de um eleitor consciente que queira melhorar esse país.



Sociólogo, Analista Político e Advogado.

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Comitê de Combate à Corrupção lança agenda de ações para o ano eleitoral de 2022

A Coordenação do Comitê de Combate à Corrupção realizou na manhã do dia 20 de abril, no auditório da Cúria Arquidiocesana, o anúncio das suas atividades que serão desenvolvidas para o processo eleitoral das eleições gerais de 2022.  Criado há 8 anos, este é um comitê de entidades da Sociedade Civil ligado ao Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral que foi criado com o objetivo de propor normas, realizar atividades de fiscalização e promover ações educativas destinadas a tornar o sistema político brasileiro mais inclusivo, com eleições limpas e transparentes.

Estiveram presentes Dom Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus; Carlos Santiago, presidente da Comissão de Reforma Política e Combate à Corrupção da OAB AM; Marcus Evangelista, presidente do Conselho Regional de Economia – CORECON; Manoel Júnior, vice-presidente do Conselho Federal de Contabilidade; André Caria, vice-presidente do Conselho Regional de Contabilidade; Nelson Aniceto, presidente do Conselho Regional de Administração – AM; Inácio Guedes dirigente do Movimento Nacional de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE; Wilson Reis, presidente do Sindicato dos jornalistas profissionais do Amazonas; Elcilene Rocha, coordenadora do Grupo de Trabalho de Combate à Violência Política Contra Gênero; e Cassius Clei, Conselheiro da OAB AM e representante do presidente Jean Cleuter.

Durante oito anos o comitê vem promovendo ações de educação política, fiscalização e comunicado da ocorrência de crimes de corrupção aos órgãos competentes para apuração e propositura das medidas judiciais cabíveis.  

As ações deste comitê proposta para este ano foram:

• Curso de Multiplicadores do Voto Consciente nas versões digital, presencial, via programa radiofônico e podcast, para alcançar o maior número possível de eleitores no Amazonas;
• Grupo de Trabalho de Combate à Violência Política Contra Gênero. Serão realizados cursos (o primeiro será nos dias 28 e 29 de abril) produção de cartilha e atividades de prevenção e recebimento de denúncia que serão enviadas aos órgãos competentes;
• Lives que acontecerão uma vez por mês até julho, após esse mês será quinzenal, sobre a conscientização do voto consciente, o voto ético, eleições limpas e o Direito Eleitoral;
 • Seminário sobre os malefícios da fake news para a democracia e o processo eleitoral. Será realizado na segunda quinzena do mês de julho;
• Carta de Compromisso para que os candidatos ao governo assinem. Conteúdo: compromisso com a ética, com a transparência dos recursos públicos, com a defesa da Zona Franca de Manaus, com os projetos de desenvolvimento regional sustentável alternativos ao modelo ZFM, com o combate à pobreza, com a segurança pública, com os povos indígenas e outros. Ficará disponível aos candidatos a partir de 16 de agosto de 2022;
• Debates com os candidatos ao Governo do Amazonas. Programado para o mês de setembro;
• Recebimento de denúncias, fiscalizações e envio de irregularidades aos órgãos competentes.

Para Dom Leonardo Steiner, trata-se de uma manifestação da sociedade que deseja cuidar das eleições, para que sejam limpas, justas, que proporcionem a possibilidade de elegermos pessoas que estejam à disposição da sociedade brasileira. “É importante essa manifestação e esse acompanhamento, pois assim nós vamos ajudando as pessoas, a sociedade a se educar cada vez mais para eleger bem, dar bem o seu voto, um voto consciente”, destacou o arcebispo de Manaus.

Conforme o advogado Carlos Santiago, atualmente o Comitê tem sua sede no Conselho de Regional de Contabilidade e neste local serão recebidas todo tipo de denúncia quanto às irregularidades cometidas nessas eleições, e será produzido um documento a ser encaminhado aos órgãos competentes. Destacou também que o comitê irá oferecer à sociedade o curso “Multiplicadores do Voto Consciente”, com a finalidade de orientar o eleitor a votar de forma consciente, ético e pelo bom comum, e também ensinar a como fazer as denúncias.

Assessoria de Comunicação do Comitê Amazonas de Combate à Corrupção

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Comitê anticorrupção reforça parceria com o Ministério Público para as eleições 2022

Membros do Comitê Amazonas de Combate à Corrupção reuniram-se, nesta quarta-feira (30/03) com o Procurador-geral de Justiça, Promotor de Justiça, Alberto Rodrigues do Nascimento Júnior e o Promotor Eleitoral, Mauro Veras, na sede do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM) para tratar de parcerias sobre o processo eleitoral 2022. No centro das abordagens destacaram-se os temas como o combate à fake news, a sensibilização para o voto consciente nos municípios e o observatório regional de combate à violência eleitoral contra mulheres.

O Procurador Geral exaltou a iniciativa do Comitê e destacou a importância de unir os esforços com os programas desenvolvidos pelo MPE-AM, especialmente na campanha do Voto Consciente e o combate à violência política contra mulheres.

O coordenador das Promotorias Eleitorais agradeceu as ações do Comitê no combate às fake news e se colocou à disposição para receber as denúncias a serem encaminhadas pelo Comitê no Estado.

Por fim, o procurador-geral defendeu a parceria da sociedade civil com o MPE/AM, pois entende que no processo democrático é fundamental que todos os atores interessados em fortalecer a democracia devem estar unidos para combater interesses que insistem em violar a legislação vigente e os princípios da igualdade de participação no certame eleitoral.

Os membros do Comitê parabenizaram o trabalho do MPE/AM e a sinalização de uma parceria promissora para a Democracia e a Gestão Pública no Amazonas.

Representaram o Comitê nesta reunião os advogados Carlos Santiago, Elcilene Rocha, Aparecida Veras e Inácio Guedes.

Manaus, Am, 30 março de 2022.

Assessoria de Comunicação do Comitê Amazonas de Combate à Corrupção.

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Câmara de vereadores muito aquém dos desafios de Manaus

Carlos Santiago
Sociólogo, Analista Político e Advogado

O município de Manaus é o 6° mais rico do Brasil, o 7° em número de habitantes e o mais expressivo da Região Norte na área econômica e no tamanho populacional. É politicamente muito estratégico, com mais de um milhão de eleitores, e está no coração da Amazônia. Claro que não existem somente riquezas e belezas, o município tem muitos problemas e desafios que precisam de soluções imediatas e para o futuro. Porém, ainda possui governantes muito aquém de sua importância, das necessidades atuais e dos desafios de construir uma Manaus para as próximas gerações.

          A mobilidade urbana de Manaus é precária. Na ausência de um transporte coletivo decente, há o aumento do número de carros particulares circulando e da quantidade de automóveis de aplicativos, além de motos e micro-ônibus ilegais, o que aumenta ainda mais o caos. Os ônibus de passageiros fazem parte de uma frota velha e corroída, circulam lotados e seus subsídios são cada vez maiores. Somam-se a tudo isso, as dificuldades das autoridades públicas em apontar um novo modelo de transporte coletivo visando melhorias em futuro próximo.

       O município continua crescendo desordenadamente. Invasões de terras, agressões ao meio ambiente, moradias em áreas de riscos, surgimento de bairros sem planejamento e inexistência de programa de moradia popular. Não há movimentação, debates e propostas efetivas para o ordenamento urbano atual e nem planejamento ao futuro. 

      Os rios, os lagos e os igarapés continuam poluídos. A flora e a fauna estão desaparecendo das áreas urbanas. Os lixos continuam sendo lançados na natureza sem qualquer cuidado. O lixão administrado pelo Poder Público nem causa mais vergonha aos governantes. As soluções voltadas para salvaguardar o meio ambiente de agressões presentes e futuras são ínfimas, o que aumenta o temor de lagos e de igarapés desaparecerem. 

          O Poder Legislativo de Manaus poderia levantar o debate sobre o presente e o futuro de Manaus. Ele possui um orçamento milionário, atribuições constitucionais valorosas, uma sede própria e gasta muito dinheiro do contribuinte com pagamento de benefícios aos vereadores e com atividades promovidas por eles.

       A Câmara de Manaus tem um orçamento estimado de R$ 200 milhões para 2022. É muito dinheiro. E toda vez que o orçamento do município cresce o repasse de dinheiro ao Poder Legislativo também cresce. Quanto mais dinheiro nos cofres públicos, mais verbas para a Câmara de Vereadores. Então, não faltam recursos financeiros aos vereadores para que desenvolvam suas funções constitucionais.

      A Constituição Federal e a Lei Orgânica de Manaus dão autonomias legislativas aos parlamentares das cidades em assuntos locais e determinam o dever de fiscalizar os atos do Poder Executivo, aprovar ou não as contas do prefeito, propor e aprovar leis que beneficiem todos e tragam o bem comum. Além disso, pela regra constitucional, cabe à Câmara propor realizações de plebiscitos, durante o ano eleitoral,  sobre temas importantes para os munícipes.   

        No entanto, a atual legislatura tem-se mostrado muito aquém de suas funções legais. Não fiscaliza e nem cobra o prefeito. Prefere envolvimento em atos vergonhosos, como por exemplos: o aumento do cotão, a compra de kit selfie para vereadores, compra de imóveis caros, várias dispensas de licitações, deixando em segundo plano, temas estruturais que impactam o presente e o futuro da cidade.           Manaus precisa de governantes a altura de sua importância e dos seus desafios, e ainda, de homens e de mulheres comprometidos com as próximas gerações e com a relevância política, social e econômica do município.

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Narrativas da morte

Por Carlos Santiago*

       O homo sapiens construiu sua história sobre narrativas para justificar guerras sanguinárias, alimentar a maldade, promover intolerâncias e arrebanhar milhões de pessoas para adorar crenças fúteis e seguir ideologias escravizadoras do ser humano que os ensinam a agir violentamente com sorriso no rosto.

         A origem da sobrevivência humana foi embalada pela lei do mais forte, da imposição entre vida e morte; destino, natureza e ímpeto humano se mesclavam dando o direcionamento do sucesso na empreitada da vida. A narrativa escolhida iluminava os vencedores. Esse olhar sobre a vida e sobre o mundo o transformava em caça ou caçador, vencedor ou vencido, senhor da natureza ou seu subserviente. Era um tempo de luta e vigília.

         Proteger a terra sagrada de Deus, o lugar santo. Expulsar os pecadores e os que cultuam e celebram outras religiões. As recompensas foram o perdão dos pecados terrenos, riquezas, títulos de nobreza e o encontro com o criador de tudo, após a morte. Matar e morrer, em nome dos deuses, se justificam. Era um tempo de crença e intolerância.

         Defender e matar em nome da honra do rei, em defesa dos burgos, em homenagem ao representante do divino na terra. As forças, as fogueiras para queimar humanos, as flechas e os corpos dilacerados, eram destinos dos contrários. Pela honra do rei, pela fé e pelo território do reinado, justificavam matar e morrer. Salve Vossas Majestades e a Santa Igreja! Era um tempo de religião, de servidão e de intolerância.

         A morte de um arquiduque, herdeiro do trono austríaco, e de sua esposa, os interesses econômicos e disputas por territórios das riquezas e exploradas colônias, causaram o fim de vidas. Matança movida por ressentimentos, vingança e a ideia de nacionalismo e de patriotismo, legitimavam ações de mortes humanas. Era um tempo de guerras, vinganças e explorações estatais.

        Racismos, autoritarismos, ditaduras, patriotismos, capitalismos, fascismos e comunismos, impulsionaram a aniquilação de milhões de pessoas, perseguição e separação de povos, incorporação de territórios, explosão de bomba atômica e pena de mortes para milhões de inimigos políticos. Mortes, mortes…e o fortalecimento de utopias que escravizam ainda mais inocentes úteis e malvados doutrinadores da desgraça do homem. Era um tempo de ideologias e cegueira histórica.

        Guerra fria que de fria só tinha o nome, milhões de vidas foram ceifadas. Dinheiros incalculáveis foram gastos com armas e tornou o mundo, ainda mais, em lugar de países fortes e fracos, desenvolvidos e pobres, governantes importantes e governantes bajuladores, com um órgão internacional criado para manter as relações de forças e de subserviência. Era um tempo de discórdia política e de política de morte.

          Empresas lucraram com as guerras, políticos autoritários ficaram mais fortes, intolerâncias religiosas ainda movem conflitos, as desigualdades econômicas só crescem. Um tempo do lucro e da fome.

        O homo sapiens criou suas celas, suas gaiolas, seus modelos econômicos, seus paradigmas políticos, suas organizações sociais, meios de expressões, filosofias, acordos internacionais e conhecimento científico para, na maioria das vezes, destruir o próximo.

           No atual contexto do mundo, inúmeras narrativas foram construídas para justificar uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Todos os lados afirmam razões para o conflito armado. Todos se declaram donos da verdade. Vive-se um tempo obscuro da desrazão.

         É mais uma guerra construída pelo ser humano, mais mortes acontecerão, pois as narrativas para matar o outro sempre existiram. Os tempos mostram que o ceifador do homem sempre foi o próprio homem.